“Os movimentos eclesiais e as novas comunidades são uma das novidades mais importantes suscitadas pelo Espírito Santo à Igreja pela atuação do Concílio Vaticano II. Difundiram-se precisamente logo após a assembleia conciliar, sobretudo, nos anos seguintes, num período cheio de empolgantes promessas, mas marcado também por difíceis provas. Paulo VI e João Paulo II souberam acolher e discernir, encorajar e promover a imprevista irrupção das novas realidades laicais que, em formas variadas e surpreendentes, voltavam a dar vitalidade, fé e esperança a toda a Igreja. De fato, já então davam testemunho da alegria, da racionalidade e da beleza de ser cristãos, mostrando-se gratos por pertencer ao mistério de comunhão que é a Igreja.” (Discurso do Papa Bento XVI aos participantes do seminário de estudos para Bispos promovido pelo Pontifício Conselho para os Leigos. Sábado, 17 de maio de 2008)

A COMUNIDADE EPIFANIA é uma Associação Privada de Fiéis. Nascida na Arquidiocese de Vitória em dezembro de 1993, identifica-se como uma nova forma de família eclesial que abre espaço para acolher, homens, mulheres, celibatários, casados e solteiros para viver uma nova forma de vida comunitária, sob o foco da experiência de Deus remetida à caridade, que conduz à beleza, à bondade e a verdade da dignidade humana. Esta nova forma favorece a consagração ao Cristo através de um carisma específico.

“A Igreja é o lugar onde floresce o Espírito, suscitando um dinamismo novo e imprevisto. Ele, quando intervém, suscita eventos cuja novidade causa admiração.  “A Igreja cresce sempre no tempo graças à ação vivificante do Espírito”. Ele age constantemente para que as pessoas, chamadas por Cristo, percebam sua presença e reconheçam que as próprias instituições eclesiais são veículos privilegiados de carismas que edificam a Igreja de Cristo.” (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 55ª Assembleia Geral, 04/55ª AG (Sub), introdução).

Testemunho

Não ter medo das surpresas de Deus!

Eu participava de grupos de oração da RCC: Paróquia da Ressurreição – Goiabeiras, Comunidade em Maria Ortiz, também da comunidade onde morava, André Carloni – Serra, realizava pregações, fazia celebração da Palavra na comunidade local e inserida na Pastoral Carcerária, mas dentro de mim uma inquietação interior muito grande, isto não me bastava na vivência cristã. Desejava algo mais que não sabia explicar. A vida não era somente aquilo que já havia conquistado em nível pessoal e profissional e quanto mais participava ativamente da Igreja, mais crescia uma inquietude interior: o anseio por algo desconhecido: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti” – Santo Agostinho

Proveniente de família pobre, simples, moradora da periferia, cursando a universidade, professora concursada da rede estadual de ensino, professora da rede particular, com intenso engajamento eclesial, missa diária… Aos 30 anos a vida pareceu-me muito previsível. Perguntava-me: “Será que é só isto?” Já sei tudo o que vai acontecer… Já posso morrer!

Foi dentro deste contexto de vida e com o coração inquieto, que recebi o convite de Victor Schneider para participar de um grupo (todos os participantes, lideranças da Renovação Carismática Católica) que se reuniam para rezar aos domingos após a missa, realizar partilha de vida, com o desejo de uma vida comunitária mais intensa. Eram dois casais: Sérgio e Aline Rabello, Victor e Raquel Schneider. Aceitei imediatamente, pois senti neste convite meu coração arder. Eu não tinha a menor noção sobre comunidade de Vida e Aliança.

Nosso pequeno grupo participava da missa diariamente, rezava as “laudes” e cada um seguia para sua rotina de trabalho e estudos. Assim, chegamos a morar juntos por uma semana culminando com um retiro espiritual onde em oração fui impelida pelo Espírito Santo, numa voz interior, a abrir a Palavra em II Tim 2, 1-13. Neste ínterim, o então seminarista, Pe. Anderson Franklin (Diocese de Cachoeiro de Itapemirim- ES) tocou a campainha, entrou e disse que Deus o havia enviado até lá para me dizer que era aquilo mesmo que eu havia entendido.

Entendido o quê? A deixar tudo para seguir Jesus e só a Ele pertencer trabalhando na construção do Reino. Logo depois disto deixei a casa da minha mãe e avó e fui morar na casa de Victor e Raquel. Pedi exoneração do Estado e demissão da escola particular: um pequeno “sim” e da inquietação interior para um susto: “Como se dará isso?”. Não é fácil dar o passo olhando para o futuro: “O que eu vou fazer agora?”. Sem noção!

Entre nós foi crescendo a amizade, como também o compromisso entre si e um desejo de que mais pessoas pudessem experimentar daquilo que vivíamos. Fizemos compromissos entre nós numa missa na Paróquia Santa Rita de Cássia – administrada pelos Agostinianos.

Partilhar o que estávamos vivendo com o Arcebispo de Vitória D. Silvestre Scandian foi consequência da nossa inserção eclesial e profundo amor a Igreja. Ele por sua vez falou-nos uma frase profética: “Deus geralmente é lento em suas ações, mas quando quer vai a galope” e nos abençoou, incentivando-nos a continuar, tornando-se muito próximo e acompanhando cada passo ao longo de sua vida.

Outros foram chegando. No princípio muitos jovens, mas na medida da exigência da radicalidade evangélica, foram saindo. Mas, alguns permaneceram como Eliana Cristina, Deidilaura Aparecida, Amelinha, Rosângela Rodrigues e irmãos e irmãs que constroem a nossa história.

“Fazer memória daquilo que Deus fez e continua a fazer por mim, por nós, fazer memória do caminho percorrido; isto abre de par em par o coração à esperança para o futuro. Peçamos ao Senhor que nos abra à sua novidade que transforma, às surpresas de Deus; que nos torne homens e mulheres capazes de fazer memória daquilo que Ele opera na nossa história pessoal e na do mundo; que nos torne capazes de O percebermos como o Vivente, vivo e operante no meio de nós; que nos ensine cada dia a não procurarmos entre os mortos Aquele que está vivo. Assim seja.” Papa Francisco – Sábado Santo, na Basílica de São Pedro a solene Vigília de Páscoa, 31 de março 2013.

Doris Pereira de Almeida

Carisma

“As “novas famílias eclesiais” favorecem a consagração ao Cristo através de um carisma específico, e a partir desse, seus membros, num mundo marcado pelo secularismo, se empenham por viver o Batismo de forma autêntica. Elas são reconhecidas pela Igreja como um instrumento importante, inspirado por Deus, para o anúncio da Sua Palavra, testemunhando a veracidade do Evangelho com seu estilo de vida. Elas, animadas pelo Espírito, se tornam espaço de vida eclesial, quando tornam possível e praticável a educação permanente ao “pensamento de Cristo” (1Cor 2,16), favorecendo entre seus membros o trabalho de aperfeiçoamento na vida cristã, fomentando o encorajamento recíproco no empenho por fazer próprios os ‘mesmos sentimentos de Cristo’, buscando um mesmo sentir e pensar no seio da comunidade, além do empenho por viver em paz (cf. 2Cor 13,11)”. (CNBB, 55ª Assembleia Geral, 04/55ª AG (Sub), p. 3)

Glorificar a Deus na oferta da vida aos pobres e pequenos’.

A Comunidade Epifania tem seu carisma fundamentado na encarnação de Jesus Cristo: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos sua glória” Jo 1,14 Palavra que rege o carisma Epifania e que a leva a enamorar-se da Beleza Espiritual impulsionando-a à oração e à caridade.

A oferta da vida é sinal de gratidão e compromisso com Àquele que deu a vida por nós.

Como afirma um dos Prefácios do Advento: “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu Reino” (Prefácio do Advento 1A).

HISTÓRIA – um pouquinho de:

“É entre «memória e esperança» que podemos «encontrar Jesus». «memória e esperança caminham juntas: a memória cristã vai à esperança, e a esperança à memória». Assim «são complementares, completam-se».”  – Papa Francisco, Meditações matutinas, quinta-feira, 7 de junho de 2018.

A Comunidade Epifania nasce a partir de reuniões entre dois casais (Victor e Raquel Schneider e Sérgio e Aline Rabello), membros da equipe arquidiocesana da Renovação Carismática para a oração comum e poucos meses depois o convite feito a Doris Almeida a compor esta pequena célula que se reunia aos domingos após a missa das 18h na Igreja Santa Rita de Cássia em Vitória, ES.

Um grande impulso para a compreensão desta célula enquanto comunidade foi a presença da Co-fundadora da Comunidade Shalom, Emmir Nogueira, hospedada na residência de Victor e Raquel, para ministrar o Congresso Estadual da Renovação Carismática Católica.

  • 09/01/94: semana de experiência comunitária de vida;
  • 06/03/94: 1º. compromisso particular na Santa Rita;
  • 29/03/1994: ida a Dom Silvestre (Ponta Formosa, de noite);
  • 22/05/94: 1º compromisso público (Pentecostes) no Martina Toloni;
  • 11/07/94: reunião para tratar do registro civil da comunidade;
  • 08/08/94: discernimento ‘presidência’ de Doris;
  • 19/09/1994: 1º estatuto civil registrado: Comunidade de Aliança Sagrada Família;
  • 19/09/1994: inauguração 1ª Sede Comunidade;
  • 25/09/94: Missa de Aliança com os Comprometidos

Para a comunidade foi fundamental a reunião de 29 de março de 1994 com o arcebispo D. Silvestre Luiz Scandian que nos incentivou a seguir em frente com a frase: “Deus geralmente é lento em suas ações, mas quando quer vai a galope”. Sempre acompanhou em conjunto com Pe. Hugo Scheer com presença, orientações e recursos.

Sem muita clareza da vontade de Deus enquanto missão, desde o início a comunidade sempre procurou servir aos mais vulneráveis. Em sua primeira casa denominada “Casa São José”, ministrava gratuitamente aulas de reforço escolar, violão e inglês a crianças de baixa renda familiar. Também na evangelização com cursos de formação de discípulos para adultos e “barzinho para jovens”.  Novos membros, muitas ideias, muitos sonhos, muito aprendizado até o Espírito Santo acostumar a comunidade a ouvir Deus através da voz da Igreja e a responder esta escuta com prontidão: “fiat!”

Em 1995 a Igreja nos confia uma missão: desenvolver um trabalho de acolhimento para crianças com Aids no Estado do Espírito Santo, o que realmente aconteceu à galope. Em 1996 já inaugurávamos a Casa Sagrada Família a partir de todo um trabalho desenvolvido junto às famílias que viviam com HIV/Aids.

Em 1996 a Igreja nos confia outra missão: assumir a comunicação e memória do CEN em vista de ganharmos algum dinheiro em função do trabalho com as crianças com AIDS com a responsabilidade de toda a gravação, filmagem, reprodução e distribuição do material para todo o Brasil do Congresso Eucarístico Nacional.

Em 31/05/98 acontece nosso 1º compromisso público com Dom Silvestre, na Catedral; Centenário de Santa Teresinha e Consagração de Doris à Igreja Particular de Vitória, na Ordum Virginum;

Em agosto de 2000 a escuta e compreensão do nome da Comunidade: EPIFANIA!

Em novembro de 2005 somos enviados a abrir casa de missão na Prelazia de Lábrea acompanhando o então seminarista Éder Carvalho, hoje padre.

Muito mais a contar, muito mais a glorificar a Deus que vai nos ensinando no caminho da vida a realizarmos a sua vontade.

Baluartes

Santa Terezinha do Menino Jesus

Com a ajuda dela, Deus nos revela o chamado a vivermos a pequenez, no esvaziamento (Kenosis) de nós mesmos, ensinando-nos que: “viver de amor é dar sempre, sem medida, sem reclamar na vida alguma recompensa.”

Santo Agostinho

Com a ajuda dele, Deus nos revela o chamado a sermos sempre “enamorados da beleza espiritual”, vivendo na disposição do amor para assim podermos manifestar a Glória de Deus, ensinando-nos a viver a vida intratrinitária, na Graça.

Sagrada Família: Na Família de Nazaré encontramos o ambiente propício para a nossa educação e também sermos educadores, em busca da estatura de Cristo.

Maria: A prontidão em servir, “Fiat!” Gratuito e alegre, glorificando a Deus com gesto fraterno e oração de louvor e gratidão. “E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva”. Acolhemos Maria em seus diversos títulos, é a Mãe para todos os povos e nações.

Um título é mais especial para a comunidade Epifania: Nossa Senhora de Guadalupe, a Virgem grávida, Padroeira da América Latina, celebrada na festa litúrgica no dia 12 de dezembro, Tempo do Advento, dia do aniversário da Comunidade Católica Epifania. 

José: Colocado à frente da Família do Senhor como guardião dos tesouros de Deus Pai e venerado pelo povo de Deus como protetor do corpo místico de Cristo, é para nós modelo exemplar de generosa humildade, homem Justo, silencioso e obediente: o dom do trabalho e da proteção àqueles que Deus nos confiou através das obras sociais.

Missão

A Comunidade Epifania, tem como missão ‘Levar a esperança cristã estendendo a mão e o coração aos desprotegidos da sociedade’ que se revela no Cristo presente nos irmãos que se encontram desprotegidos (existencial e material) e convida a experimentar e manifestar Sua ternura que brota tanto da manjedoura quanto da cruz.

Jesus, o Filho de Deus se fez Filho do Homem, realizou a sua ‘kenosis’: fez-se pequeno, pobre e sofredor desde o nascimento até a morte e morte de cruz e apresentou-nos um Deus profundamente interessado pelos humanos. Deus se fez próximo de nós e não há como aproximar-se dele sem sentir-se atraído e fascinado por sua pessoa, pelo carinho, delicadeza e ternura com que trata os outros independentemente de seu gênero, etnia ou religião.

A encarnação do Verbo abre um novo caminho de acesso a Deus, que passa pela compaixão com os ‘irmãos/irmãs’ pequenos, pela acolhida e o compromisso com o outro necessitado, sobretudo o mais pobre. Portanto, para nós Epifania, o seguimento de Jesus é um caminho de gestos concretos, de ações, de mãos estendidas, de atitudes que reaproximam as pessoas de Deus e umas às outras. É

pôr no centro da nossa oferta de vida, de nosso olhar, de nossas ações, os pobres, os doentes e o cuidado com a Criação de Deus.

Jesus, Verbo encarnado, foi alguém apaixonado pelo Reino de Deus e que viveu em profundidade a dinâmica da acolhida, da hospitalidade e da compaixão pelos outros. Foi alguém que trouxe à tona a possibilidade da alegria e da esperança aos desprotegidos. A maneira peculiar com que falava aos outros sobre o Pai e seu projeto de vida provocava entusiasmo e paixão nos pobres. Jesus foi um “curador da vida”, despertava nos outros a vontade de viver com dignidade. Seu amor apaixonado à vida, sua acolhida afetuosa a cada enfermo ou enferma, sua força para regenerar a esperança nas pessoa a partir de suas raízes, sua capacidade de transmitir sua fé na bondade de Deus. Eis nossa missão!

Ousar a Vida!

Fizemos nossa escolha! Sentimos o chamado como uma razão válida de vida, numa disposição ampla e concreta de viver a fraternidade: Somos todos irmãos! E VOCÊ? Nunca se perguntou qual o PROJETO DE DEUS para sua vida. Deus continua escolhendo homens e mulheres generosos para ousarem a vida sendo profetas e testemunhas do Reino no mundo de hoje.

Mãos e Corações Estendidos