Texto que circula na internet não é a versão final da exortação sobre o Sínodo Amazônico

Basílica de São Pedro no Vaticano. Foto: Daniel Ibañez/ACI Prensa

Este 31 de janeiro foi publicado em um site católico italiano um texto que supostamente reproduz um trecho da versão final do documento pontifício sobre o Sínodo da Amazônia, no qual, o celibato sacerdotal seria abolido; entretanto, uma fonte confiável da Santa Sé assinalou que o mesmo “não é o documento final”.

“O texto que agora circula é um rascunho, distribuído para receber revisões e comentários à medida em que o texto final se desenvolve”, afirmou esta sexta-feira a ACI Digital uma fonte confiável do Dicastério para a Comunicação do Vaticano.

Segundo o site Corrispondenza Romana, no artigo “L’esortazione post-sinodale di papa Francesco abolisce il celibato ecclesiastico”, publicado neste 31/01, o texto seria um trecho da versão original (e portanto definitiva), do documento pós-sinodal do Papa Francisco, a qual teria sido enviada a alguns bispos de maneira reservada.

Segundo o artigo da Corrispondenza Romana, o documento pós-sinodal conteria o seguinte texto:

“Apreciamos o celibato como dom de Deus na medida em que este dom permite ao discípulo missionário, ordenado ao presbiterado, dedicar-se plenamente ao serviço do Santo Povo de Deus. Isso estimula a caridade pastoral e rezamos que haja muitas vocações que vivam o sacerdócio celibatário. Sabemos que esta disciplina ‘não é exigida pela própria natureza do sacerdócio’ (PO 16), embora tenha muitas razões de conveniência com isso. Em sua encíclica sobre o celibato sacerdotal, São Paulo VI manteve esta lei e expôs as motivações teológicas, espirituais e pastorais que a motivam. Em 1992, a exortação pós-sinodal de São João Paulo II sobre a formação sacerdotal confirmou esta tradição na Igreja latina (PDV 29). Considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a unidade da Igreja, mas sim a manifesta e serve (cfr. LG 13; OE 6), o que atesta a pluralidade dos ritos e disciplinas existentes, propomos que, no marco da Lumen Gentium 26, a autoridade competente estabeleça critérios e disposições para ordenar sacerdotes a homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconado permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterato a fim de sustentar a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e a celebração dos Sacramentos nas zonas mais remotas das regiões amazônicas”.

Vale recordar que em várias ocasiões o Papa Francisco expressou seu desacordo em permitir o celibato sacerdotal opcional, e jamais considerou “abolir” o celibato, que segundo ele mesmo, é “um dom para a Igreja” e sua abolição não seria a chave para o problema da falta de vocações.

Uma destas ocasiões foi na viagem de volta a Roma após a JMJ Panamá 2019 quando um jornalista lhe perguntou sobre esta possibilidade. “No rito latino, vem-me à mente uma frase de São Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes que mudar a disciplina do celibato’”, expressou o Papa Francisco.

Estas palavras foram recordadas pelo diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni no dia 13 de janeiro deste ano, ao afirmar que “a posição do Santo Padre sobre o celibato é conhecida”.

O Vaticano, até o momento, não indicou a data de lançamento do documento.

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