25ª edição do Grito dos Excluídos retoma tema da primeira edição:“A vida em primeiro lugar”

Contra os diversos tipos de violência, contra desigualdade social, pelo fim da violência, da injustiça, da criminalidade; pelos direitos fundamentais de saúde, educação, moradia, vida digna e acesso à democracia; contra a degradação do meio ambiente, a exploração da Amazônia, contra a reforma da previdência e outros desmandos do poder público; pela memória viva do Padre Gabriel Maire, assassinado brutalmente há 30 anos… Por esses e outros motivos, centenas de pessoas, grupos pastorais, movimentos sociais, estudantes do sistema público de educação e pessoas da sociedade civil, participaram da 25ª edição do Grito dos Excluídos, que teve como tema “Este sistema não vale: lutando por justiça, direitos e liberdade”, realizado em Cariacica, na manhã do último sábado (7 de setembro).

A concentração ocorreu na Praça do bairro Porto de Santana, onde foram realizadas algumas atividades, cânticos e protestos em prol de uma sociedade melhor para todos. Cerca de mil pessoas estiveram presentes, entre padres da Arquidiocese, religiosos, seminaristas, etc. Nos momentos iniciais, a emoção tomou conta de todos, quando foi contada um pouco da história do Padre Gabriel, assassinado em 23 de dezembro de 1989, vítima de poderosos que estavam se sentindo incomodados pela atuação forte do sacerdote francês, que não se calou diante das injustiças e do poder opressor. Calaram a voz de um profeta, mas o sonho dele permanece vivo nos corações.

A caminhada teve início às 9h15, quando os participantes foram rumo ao bairro Flexal. Esta foi a primeira vez que o evento foi realizado no município de Cariacica, e o motivo é exatamente por ter sido uma região onde Padre Gabriel atuou defendendo a justiça, a igualdade, a paz e o direito de liberdade de todos.

Durante o trajeto aconteceram 4 paradas e em cada uma houve a leitura de textos e poesias sobre os assuntos abordados por quatro alas: Ala dos Direitos Sociais que abordou a destruição e a não existência das políticas públicas, os cortes na saúde e educação e o alto número do desemprego no país; a Ala dos Direitos Humanos e Segurança Pública que abordou a violência no Brasil e a presença da Força Nacional em Cariacica; a Ala da Questão Ambiental que lembrou as tragédias de Mariana e Brumadinho e os incêndios que vem destruindo a Floresta Amazônica e a Ala da Defesa da Democracia que lembrou que os direitos e conquistas adquiridos pelo povo brasileiros têm sido ameaçados diante do discurso de ódio que tem crescido no país.

Durante a passagem da caminhada, muitos gestos de apoio dos moradores dos bairros aconteceram. Muitos abraços, acenos e sinais de positivo foram recebidos por quem participava do evento, carregando faixas e cartazes com frases e palavras que lembravam os direitos dos cidadãos e as injustiças cometidas contra a população. Muitos se emocionaram com a leitura dos textos e declamação dos poemas, principalmente com a declamação de uma poesia que falava sobre o racismo em nossa sociedade.

No encerramento do Grito, um momento de oração foi proposto com a intenção que o evento tenha ajudado a todos a cultivar a fé, a esperança e a vontade de combater as injustiças. No final todos foram convidados a rezar a Oração de São Francisco de Assis.

A 25ª edição do Grito dos Excluídos contabilizou a realização de ações em mais em 200 localidades espalhadas pelo Brasil por ocasião deste 7 de Setembro. Seis cidades registraram atos já no dia 6 de setembro, como é o caso de Manaus no qual cerca de 3 mil pessoas caminharam até a Ponto do Rio Negro, local simbólico para aqueles que defendem a vida dos povos da floresta. Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus caminhou ao lado de crianças, religiosos, mulheres, migrantes e jovens até a ponte.

Em Recife, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, e seu bispo auxiliar e referencial para a Comissão para a Ação Sociotransformadora do Regional Nordeste 2 da CNBB, dom Limacêdo Antonio, foram à concentração do ato na praça do Derby, na abertura do ato.

No Santuário de Aparecida (SP), o já tradicional ato começou às margens do rio onde a imagem da padroeira do Brasil foi encontrada em 1717, no Porto de Itaguaçu. Cerca de 130 mil pessoas participaram do ato. Ali, há 25 anos, iniciava o Grito dos Excluídos realizado sempre em conjunto com a Romaria dos Trabalhadores em sua 32ª edição.

O lema do grito foi “Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”. A Romaria reforçou a relação de Nossa Senhora com os trabalhadores, com o tema “Mãe Aparecida, a classe trabalhadora clama por justiça e direitos”.

Participação cidadã – Na abertura, o bispo de Jales (SP) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para ação sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Andrieta, agradeceu a dom Orlando Brantes, arcebispo de Aparecida, igreja que acolhe permanentemente evento.

O bispo de Jales reforçou a necessária participação cidadã nos rumos da sociedade tendo em vista um aprimoramento da democracia. “É a radicalidade da plenitude da participação cidadã na sociedade. O que há de errado na participação dos cidadãos”, perguntou.

A CNBB, segundo o membro da Comissão Sociotransformadora, propõe a participação dos setores excluídos da sociedade. “Estamos vendo setores já excluídos de nossa sociedade serem muito mais lesados em seus direitos. Isto significa perder condições de vida. Nós estamos não no progresso, mas vendo retrocessos”, disse.

Segundo o religioso, a ordem dos valores está invertida e a vida humana, dos trabalhadores e trabalhadoras, não está em primeiro lugar. “O que importa é o bem comum, o que importa são as condições dignas de vida para todos. Não os interesses particulares”, apontou.

O bispo disse que é desejo da Igreja que os valores do Evangelho se façam presentes em toda a realidade desde as relações pessoais à organização social. “É necessário pensar um projeto social, baseado no diálogo, que desfaça as polaridades e divisões” .

Em Aparecida (SP), o Grito e a Romaria, que reuniram participantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, chamaram a atenção para as tragédias/crimes como de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, que se sucedem, soterrando vidas e histórias, o solo, os rios e as florestas.

O ato começou às 6h30, com concentração em Porto de Itaguaçu, onde foi encontrada, em 1717, a imagem de Nossa Senhora. Às 7H50 teve o início da caminhada até o Santuário, com o grupo refletindo sobre a realidade dos trabalhadores no país. Às 9h10 foi a realização propriamente dita do Grito, na Tribuna Papa Bento XVI, seguida da Missa dos romeiros trabalhadores na Basílica – Santuário de Aparecida, às 10h30.

O Grito dos Excluídos foi idealizado inicialmente pela CNBB, em 1995, através das pastorais sociais. Na edição deste ano, o ato retoma o tema da primeira edição do evento: “A vida em primeiro lugar”.

Via CNBB e Convento da Penha

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